Há 2 semanas atrás, estive em Nova York para visitar meu irmão e aproveitei a oportunidade para trocar figurinhas com o pessoal que trabalha por lá. Enviei e-mails para diversas agências de publicidade e interativas e minha única resposta (tirando as respostas automáticas, óbvio) foi a do simpático Joshua Hirsch, “Ministro de Tecnologia” de umas das agências mais premiadas da atualidade, a Big Spaceship, indicada a agência da década pela AdWeekMedia e responsável por ações históricas como a HBO Voyeur, indicada também à campanha da década. “You are absolutely welcome to stop by the shop when you are in town”, ele disse. E lá fui eu, de humilde, bater na porta dos caras.
Quando contei a ele que era o único a ter respondido meus emails ele me respondeu: “É porque nossa cultura é de colaboração.” Excelente resposta, era mesmo o que eu esperava ouvir. O pensamento em rede, onde as conexões são mais fortes do que o conteúdo que trafega por elas, é a forma de pensamento que está tomando conta do mercado e fazendo empresas se revolucionarem. A internet chegou e não há mais volta. Agir como se a informação fosse mais importante do que as conexões é estar com os dias contados. “Information wants to be free”, já disseram por aí… Mas este não é um post sobre redes. Você pode aprender mais sobre isso na Escola de Redes.
Josh me apresentou a empresa e contou um pouco sobre sua metodologia. Para cada projeto, monta-se uma equipe de desenvolvedores, designers e plenejadores que sentam todos próximos uns aos outros. Antes havia a “ala dos desenvolvedores”, a “ala dos designers”, mas misturar todo mundo mostrou-se ser muito mais produtivo (redes! conexões!).

Joshua apresentando a Big Spaceship
Com o porte que tem, a Big Spaceship recebe dezenas de pedidos de orçamento por dia, mas, como eles mesmos se intitulam, a BS é uma “boutique” especializada em projetos inovadores e de alto impacto. Como selecionar quais clientes atender?
Os fatores FFF. Fame, fortune and fun. Vai render visibilidade e prêmios? Vão pagar bem? Vai ser divertido? Excelentes critérios, não? Entrar em um projeto com prazer e aquela vontade de “arrasar” é o melhor método para criar soluções realmente geniais.
Também conversamos sobre como o mercado publicitário está mudando. Há cinco anos, as grandes agências de publicidade tratavam as agências interativas como meros “executadores” das diretrizes criadas por elas. O que se vê hoje, é que há o início do processo reverso. O pensamento interativo, onde internet é a malha que conecta todas as mídias e permite novas interações, está começando a ditar o que as mídias offline devem fazer. Tudo fica mais integrado e eficiente (redes! conexões!).
Aqui na Cabana já ocorreram diversas vezes de clientes que chegaram apenas para realizar a parte online e, ao entender a forma cabanuda de pensar as mídias, tiraram seus trabalhos offline de outras agências e colocaram em nossas mãos. A tendência é essa. Quem não mudar sua forma de pensar ficará pra trás.
Outro ponto interessante é que toda sexta-feira eles investem em projetos próprios. Qualquer funcionário pode dar idéias do que realizar e eles caem dentro. Foi assim que surgiu o famoso showcase de preloaders Pretty Loaded, e o recente The Most Awesomest Thing Ever, uma divertida batalha para eleger “a coisa mais fodassa de todos os tempos”.
Finalizei a conversa com a pergunta: “e sobre esse gigantesco buzz sobre Apple x Adobe, o que você acha?”.
“Nós não temos desenvolvedores Flash por aqui, nós temos desenvolvedores. Eu não sei se Flash estará aqui daqui a 5 anos, não há como prever, mas se alguém for especializado apenas em Flash, esse alguém não estará mais aqui nos próximos 5 anos.” Não precisa nem comentar, né?
Dei uma passada também na famosa Apple Store do Central Park e presenciei a febre do iPad. “Sold out!”, o vendedor me disse.

Pablo Cabana
