Confesso que no começo eu tinha receio em dizer que gostava de ver Big Brother. O medo foi embora quando houve uma edição em que havia um conhecido, o Alan, um negão que trabalhou comigo na Red Bull, uns 6 anos atrás. Eu podia usar a desculpa: “eu só vejo porque é legal ver alguém que conheço na casa…”. Aà vieram outras edições, umas mais divertidas, outras menos, até que chegou o BBB 8, e foi neste que eu confirmei todas as minhas teorias sobre o programa e tornei o prazer de vê-lo algo um pouco mais refinado.
Não sei se vocês sabem, mas aqui na Cabana tem um aquário bem bacana, diante do qual eu e meus sócios passamos vários momentos nos entretendo com os peixinhos, vendo como eles disputam a frente do aquário (que é sempre do beta), como as cobrinhas são mais tÃmidas, como os pequeninos neons comem mais comida que os outros, por serem lépidos e atacarem de galera, e como o peixe zico (que a gente chamava de Obina) cismou de enfiar porrada em todos os peixes só de onda, o que acabou nos obrigando a retirá-lo da casa, ou melhor, do aquário. Começou a entender o meu refinamento?
Era uma sexta-feira, eu estava bebericando uns aperitivos e vendo o Marcelo, astro do atual BBB (torci pra ele sair, mas agora ficou tudo sem graça), cismando de ofender todo mundo e então eu lembrei do aquário. Olhei o Marcelo, lembrei dos peixes, lembrei da dinâmica do aquário e a vi no BBB. Não estamos olhando pra um bando de peixinhos engraçados? Não será o BBB o zoológico mais divertido de todos? A resposta é sim. Aquilo trouxe uma luz pra minha cabeça.
Ora, quem deseja ferrenhamente estar no Big Brother (e todos que estão lá desejam isso mais do que a própria vida) se enquadram em um perfil totalmente “bovino”, pois não apresentam um comportamento diferente do status quo: busca por fama e dinheiro. E ficam a bater cabeças, dominar territórios, tudo para que nós, daqui, sentados confortavelmente em nossas cadeiras, possamos nos divertir com nossos animaizinhos.
E tudo então se encaixou quando descobri que a Globo leva seus patrocinadores, amigos e afins para passear por dentro da casa, pelos corredores onde podem ver os BBBs fazendo desde a comida até as suas necessidades sem serem vistos. “Não são bonitinhos os bichinhos desta edição?”, devem comentar entre si.
Esta não é uma crÃtica, mas uma constatação. A percepção de que o prazer oferecido a nós pelo BBB é totalmente lÃcito, assim como os peixinhos daqui da Cabana nos divertem com suas trapalhadas. Eu quero que audiência cresça a cada edição, cada vez mais, e cada vez mais nós possamos ver o quanto o limite entre ser humano e animal é mais tênue do que imaginamos.
Abaixo, um vÃdeo do nosso astro surtando em sua jaula.
Pablo Cabana