Como eu já havia falado aqui, faço parte da Rede Blogueiros Brazucah e participo de algumas pré-estréias dos filmes lançados pela Brazucah, e nesta última quinta-feira, fui assistir ao filme “Última Parada 174″ de Bruno Barreto.
O filme é uma ficção baseada na trágica história real de Sandro Rosa do Nascimento, sobrevivente da Chacina da Candelária e protagonista do sequestro do onibus 174, em junho de 2000, que já havia sido tema do excelente documentário “Ônibus 174″. Mas quem pensar que se trata apenas de uma “refilmagem” do episódio, erra feio. O roteiro de Bráulio Montovani leva pra telona uma história rica em personagens, onde o ônibus sequestrado não é o foco e serve somente como “agente de tensão”, pois sabemos ser este o desfecho.
A questão continua a mesma: quem é a vÃtima de toda essa violência que explode em nossas cidades? Uma velha questão na qual o cinema brasileiro parece ter se fundido. Não nego estar meio já “debatido demais” sobre as mazelas de nosso paÃs (não é à toa que gostei tanto do internacionalÃssimo filme de Selton Mello “O Cheiro do Ralo”), e ver isso de novo nas telas tá ficando um pouco chato, mas, graças à s brilhantes atuações de Michel Gomes (Sandro) e Marcelo Melo Jr. (Alê Monstro) e à criativa adaptação de Bráulio Montovani, “Última Parada 174″ torna-se um filmásso. Tente esquecer a última centena de filmes feitos sobre “quem é a vÃtima no Brasil?” e vá pro cinema preparado pra curtir uma boa dose de emoção muito bem produzida.
A sessão foi nos estúdios da Paramount aqui no Rio de Janeiro e a maior polêmica de todas foi a sala de cinema politicamente incorreta, onde é permitido fumar (com direito a cinzeiro nas cadeiras e tudo). Olha só o cartaz na entrada (desculpem a falta do flash no meu Sony Ericsson W380):

(”Os cigarros devem ser jogados nos cinzeiros localizados atrás das cadeiras”)
No final, rolou uma conversa bem legal com os protagonistas, onde eles nos contaram sobre como foi a caminhada até protagonizar um filme (ambos fizeram participações em Cidade de Deus) e também sobre as preparações de cena para o filme (prestem bem atenção em como Michel está “possuÃdo” na cena do sequestro). Além, é claro, de ser super bacana encontrar com os caras em carne e osso logo depois de vê-los na telona.

Pablo Cabana
