
A internet está revolucionando tudo. Correios, música, TV, todo o formato de acesso às informações está diferente. E como fica o cinema? Por um bom tempo, a telona ficou protegida pela barreira dos Gigabytes. Um filme de boa qualidade tem no mínimo 5GB e transmitir essa quantidade de dados era digno de paciência oriental. Mas as coisas não estão mais assim. As novas tecnologias estão acelerando muito a transmissão de dados e não vai demorar para você receber um e-mail do seu amigo com o assunto “olha que filme bacana” e com o anexo “Meu nome não é Johnny” ou “Homem-aranha 4″ ou até mesmo o filme título deste artigo, “Era uma vez…”, e o detalhe é que você pode receber este e-mail antes mesmo de começarem as pré-estréias.A conclusão é que naturalmente, e isso já está acontecendo, a indústria cinematográfica vai se reformular, por bem ou por mal.
Um dos pontos nevrálgicos desta mudança está na divulgação dos filmes. Como apresentar os lançamentos para convencer pessoas a sair de suas casas em direção às salas de cinema se elas podem ficar em casa e ver tudo via web? O consumidor 2.0, fruto da Web 2.0 , está mais consciente e, por causa disso, menos predisposto ao impacto de mensagens que partem de quem quer lhes vender um produto. Ele precisa ouvir de pessoas próximas sobre a qualidade de alguma coisa e, mais do que isso, precisa de produtos que lhes forneçam uma real experiência de vida, muito além do que vem escrito em embalagem mirabolantes.
A resposta na qual muitos têm acreditado (eu inclusive) é a formação de redes sociais em torno dos filmes e, mais ainda, em torno da “causa cinema” em si. O site, ainda em fase beta, Moviemobz é um excelente exemplo. Lá, você escolhe um filme, mobiliza seus amigos e assiste ao filme numa sala à sua escolha. Muito mais divertido do que ver DVD em casa.
E a Brazucah também caminha nesta direção das redes. Não é porque eles são clientes da Cabana, mas o trabalho que eles fazem (“eles” no sentido geral, mas quem está à frente de tudo são as meninas Maria, Cynthia e Camila) é fantástico. Em suas próprias palavras: “A Brazucah tem como missão estimular conexões entre o cinema brasileiro e as pessoas.” Nada mais 2.0 do que isso. Em um modo totalmente “lets talk about it” a Brazucah promove o boca-a-boca através de circuitos alternativos de exibição, ações em faculdades, pré-estréias, tudo em sincronia com a Rede Brazucah. Este Rede se constitui principalmente de propagadores engajados com o cinema nacional e interessados em faze-lo “crescer e aparecer”.
E um novo desmembramento deste Rede está florescendo agora: os Blogueiros Brazucah. A empresa está formando um rede de blogs afins com a temática Brazucah para promover pré-estréias exclusivas. Esta boa idéia vai diretamente ao encontro do consumo 2.0. Afinal, qual parâmetro é melhor para escolher um filme: o bonequinho de O Globo ou a opinião pessoal de um blog independente?
Eu virei membro de carteirinha. Já vinha querendo falar mais de cinema aqui no Cabanoblog e essa oportunidade caiu do céu. Na última quinta-feira fui à pré-estréia de “Era uma vez…“, de Breno da Silveira (o mesmo diretor de Dois Filhos de Francisco, como todo o material gráfico do filme insiste em dizer).
O filme começa meio despretensioso e aparentemente previsível: aquela temática da favela, gente rica versus gente pobre, etc e tal, mas, felizmente, fui surpreendido por uma história de amor pra Romeu e Julieta nenhum botar defeito. Com um roteiro dinâmico e cheio de surpresas (destruindo meu “aparentemente previsível”), somos envolvidos pelo romance de Dé e Nina e dá vontade de ter alguém do lado pra abraçar (pena que minha namorada também não faz parte dos Blogueiros Brazucah…). E o final…ah! Que delícia quando somos arrebatados por um grand finale memorável.
A atuação de Thiago Martins como Dé é sensacional e dá pra ver que não é porque ele é morador do morro do Cantagalo, onde se passa o filme, mas porque o garoto é bom ator mesmo. Sinal que o pessoal do grupo Nós do Morro está fazendo um excelente trabalho.
Enfim, eu recomendo. Mas não esqueça de levar namorado ou namorada! Nas próximas pré-estréias prometo que falo mais do filme e menos sobre as revoluções da Web (sou viciado nisso, fazer o que?).
E se seu blog está afim com a causa Brazucah, entre em contato com eles para fazer parte dos Blogueiros Brazucah.
Pablo Cabana