
Estava eu chegando do Rio, rumo a mais um dia de labuta na Cabana, quando a van vira na esquina da Praia das Flechas e a visão da BaÃa de Guanabara recebendo um enorme swell faz minha espinha gelar. Quem surfa entende. Itapuca quebrando clássico é como receber o telefonema daquela gostosona que você sempre paquerou: não importam seus compromissos, você TEM que comparecer. E foi nesse clima que eu saà correndo da van, peguei a prancha emprestada do primeiro camarada que encontrei (que foi o Henrique – o maldito caiu praticamente sozinho na madrugada anterior) e fui pra água. O trabalho que esperasse!
Remei pro pico, me posicionei apertado entre os infinitos surfistas presentes e senti bem de pertinho o que a imagem abaixo quer dizer: aquela tão propagada “paz de espÃrito†trazida pelo surf não se aplica a dias como esses.

Era necessário gritar alto e raivosamente em cada onda e rezar pra que ninguém se jogasse na sua frente ou te empurrasse no meio do drop. Tava parecendo mais uma feira, onde quem falasse mais alto se dava melhor. Mas quando acontecia de sobrar aquela perfeita, era só alegria, e a sensação de cruzar a pedra do Ãndio encaixando um cut-back na lata fazia esquecer todo o estresse: tanto o da água quanto todos os outros da vida. Nestes raros momentos, aquela esquecida paz de espÃrito retornava, porém logo era esquecida ao se voltar pro pico para esperar uma próxima onda.
Entre um estresse e outro, acabei ganhando de presente uma quilhada no meio das costas de um coroa que não parecia muito bem saber o que estava fazendo quando embicou o fun-board dele pra cima e, sem me ver, me acertou em cheio. O que fazer numa hora dessas?
Na madrugada seguinte, estive lá de novo para pegar o fim do swell. E, como era de se esperar, o crowd continuava. Resta-nos esperar pelo próximo e rezar pra conseguirmos pegá-lo no começo, antes que a notÃcia se espalhe.
Abaixo, meu camarada Guilherme enfrentando o crowd bravamente. Repare no destaque que eu fiz no maluco afundando na frente dele. Se der mole malandro, se arrasa.

Um agradecimento ao “Tio” Augusto, pai do Guilherme e do Henrique, que fez estas excelentes fotos neste raro dia.
Pablo Cabana