Você já deve ter ouvido a palavra “branding”. Se não, dá uma olhada na Wikipédia, tá lá: branding. Acho que nenhum brasileiro se deu ao trabalho de traduzir e ficou por isso mesmo. Ficou uma confusão. O Delano Rodrigues escreveu um artigo bem bacana falando sobre a situação no Design Brasil. Branding? Sei lá que porra é essa.
Por isso, aqui na Cabana nós fazemos uma coisa que chamamos Identidade Conceitual. Toda marca que ajudamos os clientes a criar vem sempre embasada por uma lógica, uma essência que vai estar incrustada em todos os produtos, serviços e no relacionamento com os clientes e fornecedores da empresa. Isso é fundamental para se manter uma comunicação coerente.
E como apresentar a idéia ao cliente? Eu conheço empresas que apresentam 2, 3 ou até 4 versões de logomarca, “dando ao cliente a liberdade para escolher”. Mas será isso mesmo liberdade? NÃO. No nosso ponto de vista, isso é apresentar um problema. Nós apresentamos, sempre, apenas uma versão MUITO bem embasada, na qual realmente acreditamos. E neste ponto é fundamental o trabalho de um redator para redigir uma defesa bacana.
Para dar exemplos práticos, abaixo você confere 5 identidades que criamos e suas respectivas justificativas. Algumas acabaram de sair do forno, como a PHX Embalagens, outras são antigas, como a Upper, mas todas têm seu toque de originalidade.
Antes que alguém se antecipe: é óbvio que muitos dos argumentos surgem a posteriori, pois é trabalho do redator traduzir em palavras as sacadas que o designer simplesmente intuiu.
Pablo Cabana

PHX Embalagens: uma empresa nova, mas que carrega uma poderosa experiência de mercado.
Sua marca foi desenvolvida para propagar esta dualidade. De um lado, todo o know-how agregado, advindo de anos de experiência, expresso por letras fortes e um design limpo, evocando os valores da eficiência e do compromisso com os clientes.
Do outro, a gana de uma empresa recém-criada, pronta para conquistar seu mercado, antenada com as novas tendências e técnicas, preocupada com o futuro. Por isso, reflexos que encorpam as letras, cores que transmitem tecnologia. O cinza nas letras e o azul no detalhe, que por sua vez realça a marca e joga com a seta entre o H e o X: uma empresa sempre pronta para atender as demandas de seus clientes.

Upper Agency – Eleve sua música
A logo upper evoca os valores desenvolvidos para a marca. Traços fortes e conectados que simbolizam a ponte cultural com os novos nomes do cenário eletrônico. A seta, como não poderia deixar de ser, aponta para o patamar mais elevado dos djs que a empresa tem em seu portfolio. O crescente das curvas em direção ao alto intriga a visão e, mais uma vez, indica a filosofia da empresa: eleve sua música. O verde acinzentado foi escolhido para transmitir modernidade sem a sisudez que poderiam transmitir o azul ou o cinza. O detalhe mostarda acalenta e faz um jogo visual, mostrando que o verdadeiro objetivo da modernidade e do profissionalismo da Upper é surpreender os eventos com os djs mais quentes.

Gonçalves Advogados
Uma tríplice e sólida base, eis como a Gonçalves Advogados deve se apresentar a seus clientes. A Cabana buscou tangibilizar o posicionamento da empresa através de firmes barras que se sobrepõem, simbolizando o suporte jurídico competente e seguro que a Gonçalves Advogados oferece.
O azul marinho foi escolhido porque transmite tranqüilidade ao mesmo tempo em que sugere a elegância de um trabalho mais refinado. Elegância essa que é reforçada pela tipografia utilizada, cujas serifas suaves agregam os valores de eficiência e agilidade.
Conjuntamente, todos estes elementos agem em sintonia para atingir o público-alvo da empresa: clientes com a real necessidade de advogados com expertise acima da média, cuja formação e paixão pelo trabalho estão focadas na solução de problemas.

Grupo Perdendo a Linha
É se deixando levar pela música, é curtindo o pagode até o sol raiar, é perdendo a linha que todo mundo vai se encontrar.
A logo do grupo foi concebida sob o conceito “A gente se encontra por aí.”, pois tenta atingir o pagodeiro que cada um tem dentro de si. Com um apelo POP, ela transmite o que o Grupo Perdendo a Linha provoca em seu público: alegria, descontração, a vontade de soltar o bailado. Afinal, quem resiste a um bom pagode?
As setas perdidas voltam ao encontro da logo enquanto uma seta fálica aponta o único caminho possível: é o topo das paradas. Cores brasileiras, mas sem exagerar no ufanismo, e elementos gráficos que marcam o despojamento da banda.
Uma banda “pra frente”, que curte falar de amor, mas sem esquecer jamais que a vida continua e a fila anda. Afinal, a gente se vê por aí.

Erika Imbroinise – Odontologia Integrada. De verdade.
A identidade visual da Erika Imbroinise foi concebida para funcionar como um selo de qualidade, passando aos clientes a segurança que uma clínica completa, de alto padrão, pode oferecer.
O grafismo com as iniciais, baseado em uma tipografia feminina, cuja natureza é pensar sempre de forma holística, cumpre o papel de dar força e um toque de elegância ao nome. Sua aplicação é flexível, pois pode se deslocar da marca em inúmeras variações, ideal para organizar materiais e sinalizar ambientes.
Em contraste, a tipografia do nome evoca a modernidade de um consultório odontológico de ponta, onde se encontram métodos de vanguarda. Todos os elementos sobre a linha reta, base sólida na qual os clientes podem confiar.
A cor básica lilás remete a tranqüilidade e a confiança, funcionando sempre em conjunto com a pureza do branco em abundância para reforçar o conceito da marca.
novembro 10th, 2009 at 10:00
Muito bom! Os exemplos estão ótimos, os textos também. Bacana…
novembro 10th, 2009 at 16:44
Olá!
Assim, adorei chamar o Branding de Identidade Conceitual.
Os exemplos das IV’s e argumentos são explêndidos.
Parabéns!
Vou estudar pra poder fazer isso.
Abração!
novembro 10th, 2009 at 17:54
Valeu Leo!
John, muito obrigado! Volte sempre!
novembro 11th, 2009 at 17:33
Adorei o post e os cases…A Cabana é tudo de bom! toh pensando até em fazer uma visita pros Cabanudos na sexta depois do expediente…rsrs
março 24th, 2010 at 22:10
Boa noite!
Eu faço faculdade de Design e concordo com vc quando diz que mostrar 2, 3 ou mais versões de logomarca acaba atrapalhando o cliente.
Quando reunimos 2 ou mais designers para desenvolver o projeto já fica complicado acordo entre si, “jogar” esse problema na mão do cliente as vezes é até sacanagem.
No meu ponto de vista, quanto maior a chance de escolha, maior a chance de dúvida.
março 25th, 2010 at 10:42
““jogar” esse problema na mão do cliente as vezes é até sacanagem.”
Este é exatamente o ponto, Leonardo!
abril 26th, 2010 at 17:04
[...] Acima, você passa o mouse e confere a transformação que fizemos. Abaixo, você vê a defesa da identidade conceitual que criamos: “O cimento em sua melhor [...]